Hoje é segunda:
Não se encontra
Nenhum
Por aqui.
Terça pela manhã
Lotam o saguão do aeroporto
Reformado,
Privatizado.
Um dia de aperto de mãos,
De saudades forçadas,
Um almoço na asa sul,
À tarde nada muito
Diferente.
À noite
Algumas ligações
E chegam no bar do hotel
Sorrisos fáceis
Que o dinheiro
(não muito limpo)
Compra.
Quarta é igual à terça,
Ou praticamente,
Nesse mar negro-gris
Quase sempre homens
Quase sempre brancos
Carecas-grisalhos
E um pouco
Acima do peso.
Na noite de quarta
Lembranças da terça,
Cai cerveja na manga,
No colarinho suor,
Na televisão um jogo
De futebol qualquer.
Comentários sobre as duas
Ou três mulheres das reuniões
Que eram, pelo menos,
Bonitinhas.
Na quinta a gravata já está
Na mala,
O check-out do hotel,
Parece que tem uma greve por aí,
O check-in no voo,
Os abraços apertados
Agora sim sinceros
Pois fará um pouquinho de falta
Essa disneylândia do cerrado.
Na sexta
Estão na lavanderia
Levados por uma empregada qualquer
Cujo nome nem me lembro.