quinta-feira, 10 de maio de 2012

Um Dia Típico


Acordou de sobressalto. Tentou se lembrar de seu sonho, nada veio à mente. Olhou para o relógio, estava atrasado. Pulou da cama, vestiu a roupa de trabalho às pressas. Engoliu um copo de leite, trancou a porta enquanto abotoava a camisa. Desceu o elevador colocando os sapatos. Quando saiu à rua percebeu que estava chovendo, havia esquecido o guarda-chuva em casa. Não havia mais tempo, era correr para a estação do metrô.
Não andou nem dez metros e um ônibus passou em uma poça d’água encharcando Moisés. Ele não acreditava que seu dia começava assim, tinha a certeza de ter pisado com o pé direito assim que saíra da cama. Não havia mais tempo, iria para o trabalho assim mesmo.
Olhou o celular. Muito atraso. Uma mensagem. Sua namorada, precisamos conversar. Depois responderia a mensagem.
Correu até a estação do metrô. Já estava lotada àquela hora, só conseguiu pegar o segundo trem. Repassava mentalmente o que ele precisaria falar na apresentação que já deveria ter começado. Pensava também em uma desculpa pelo atraso. Distraído que estava, não percebeu que lhe levaram o celular e a carteira. Deu-se conta do fato apenas perto do trabalho, quando foi buscar seu crachá. Encontrou-o, mas apenas ele, não o restante.
Ficou nervoso, mas precisava focar agora na apresentação, depois faria um BO. Ficou parado procurando se lhe haviam levado alguma outra coisa da mochila, o laptop ainda estava lá, mas não havia sido poupado pelo ônibus – encontrava-se encharcado, assim como Moisés. Será que ainda funcionaria? Continuava procurando para ver se sentia falta de alguma outra coisa quando lhe deram uma trombada e ele rolou escada abaixo. Ambos os cotovelos ralados, um rasgo na camisa. Não acreditava no que lhe acontecia.
Caminhou até o prédio onde trabalhava. Completamente molhado, roupas esfarrapadas, um fiapo de sangue escorria de sua testa. Atraía olhares receosos. Sacou seu crachá da mochila, havia quebrado em vários pedaços na queda. Precisaria pegar um novo. Documento por favor? Não tinha nenhum.
Não aguentava aquela situação, deu um grito bem alto. Acordou de sobressalto. Tentou se lembrar de seu sonho, algo sobre um dia muito estranho lhe veio à mente. Olhou para o relógio, ainda faltavam duas horas para a reunião que deveria coordenar e se sentia descansado. Ainda bem, seria um longo dia. Espreguiçou-se e tomou um banho demorado, relaxante. Tinha tudo na ponta da língua, seria uma grande oportunidade de mostrar seu trabalho.
Desceu o elevador assobiando Beatles. Parou no sexto andar, entrou a vizinha do 601 que lhe deu um grande sorriso. Ele respondeu ao sorriso, coçando o anel na mão direita.
Quando saiu à rua percebeu que era um dia de sol. Colocou seus óculos escuros, ainda faltava mais de meia hora até o horário da reunião.
Não andou nem dez metros quando um carro parou ao seu lado e buzinou. Olhou para dentro e percebeu que era seu chefe.
- Moisés, que surpresa vê-lo por aqui.
- É que eu moro aqui do lado. Você também?
- Não, não. Eu fui a um médico aqui perto. Quer uma carona?
- Claro!
- Entra aí.
Olhou o celular. Havia tempo, de carro chegaria em menos de dez minutos. Uma mensagem. Sua namorada, dizendo que lhe amava. Respondeu carinhosamente dizendo que também a amava e que já estava com saudades.
Abriu o laptop, ficou conversando com o chefe sobre a apresentação. Este gostou muito, e prometeu se lembrar disso na próxima promoção.
Estava feliz. Acordou de sobressalto. Tentou se lembrar de seu sonho, algo sobre um dia muito estranho lhe veio à mente...