domingo, 28 de agosto de 2016

Circuito

A cada ida
Uma volta,
Um mergulho
Um respiro,
Um voo
Um pouso,
Um barco
Um porto,
Um passo
Um retorno,
Uma entrega
Uma devolução
Distinta
E recomeça.

sábado, 27 de agosto de 2016

Elis

Será
Que serão castanhos negros azuis
Verdes mel
Os teus olhos?
Que serão longos curtos
Lisos cacheados crespos
Os teus cabelos?
Que dormirás
Embalada
Quando segurarmos teus pés
Em nossas mãos
Cantando cantigas
Que aprendemos pequenos
Quando com os pés seguros
Por mãos tão quentes
Embalados
Dormíamos?

Aguardamos o amanhã,
Expectantes! Ansiosos!
Enquanto hoje celebramos
A tua vinda,
A tua vida,
A tua chegada.

Nesse mundo improvável
Seremos rede, oca e rio,
Porto, morada e fortaleza.
Seremos certeza e consolo,
Entrega e abraço,
Colo e paz.

Tome teu tempo.
Cresça,
Venha.
O mundo está em festa
A te esperar.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Vida

Venha ser minha quimera,
Minha alegria e fantasia,
Venha ser o meu sonho
De um novo amanhã.

Venha ser o meu hoje,
Meu mar e horizonte,
Venha ser minha possibilidade
De um mundo impossível.

Quero viver-te intensamente,
Quero devorar-te calmo
Aproveitando o sim e o não.

Juntos sorrisos e tristezas,
Juntos a perda e o amor,
Juntos seremos praia e montanha,
Nuvens e lua,
Rios e areia.

Juntos serei teu
E tu serás minha
Até que abraçados entregues
Testemunharemos as cortinas da morte.

domingo, 21 de agosto de 2016

Escrita

Você me pede
Escreve
E eu te digo sim
E te vivo,
Me pede
Me mostre
E eu te choro
E te rio,
Me pede
Me lembre
E eu te mergulho
E te nado,
Me pede
Entrega
E eu te entrego
E te canto,
Me pede
Me pede
E eu te palavro
E te abraço.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Chamado

Me mostre
O que há
Atrás desses olhos verdes
Que eu quero a tua alma,
Me mostre
O que há
Atrás desse sorriso branco
Que eu quero o teu corpo,
Eu quero o teu sim
E o teu não.

Me mostre
O que há
Nesse teu rosto de pergunta,
O que há
Nesse teu toque de vento,
Nessa sua busca sem fim.

Quero devorar-te
Antropofágica.

domingo, 14 de agosto de 2016

Veloz

A velocidade
Da urbe
Me atravessa.

Seus sons metálicos,
Seus parques
Minhas praças.

Seus caminhos
Cruzamentos
Velozes.

Seu canto concreto,
Seu vertical horizonte
Meu repouso horizontal.

Pulso

Pulsa
O coração
Rubro
De sangue
Vivo.

Pulsa.

Pulsa
O eco
Do grito
De cores
Sentido.

Pulsa.

Pulsa
O pulso
Pulpulante
Das ondas
Brancas de paz.

Pulsa.

Pulsa
A chuva
A todos
Suave
Banhar.

Basta

Só isso me basta,
Só isso convida,
Só isso entrega
O sorriso sentido.

As luzes do tempo
Doces,
Coloridas
E sinuosas.

O ar
Tão leve
Que a língua
Basta.

Amanhã

Um grito liberdade,
Uma certeza horizonte,
Amanhã há de chegar.

Enquanto

As palavras de ordem
Do meu coração
Escutam apenas
Ruídos
Do teu barulho.

O meu grito
Teu silêncio,
O meu sentido
A tua morte.

O brilho dos meus olhos,
Brilho de sonhos-horizonte,
Brilho de caminhos-mar,
Já nem se lembram a forma
Da tua imagem baça.

Enquanto me dizes
Trabalhe
Te digo não,
Enquanto me dizes
Produzas,
Te digo não,
Enquanto me dizes
Acumule
Te digo
Dispêndio,
Te digo infinito
Chegando
Tão perto
E te mostro
A dúvida
Dizendo
Adeus.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Somente

Somente o infinito,
O absoluto,
O todo
Me basta.

Somente o infinito,
O impossível,
O sonho
Me toca.

Somente o infinito,
O hoje,
O outro
Me dói.

Somente o infinito,
A sua
Leitura
Me importa.

Sal

O sal da vida
Em beijo convite
Das ondas
Do mar.

Do céu o infinito
Em vôo tão livre
Acima
Do mar.

Do mar o pedido
Em carícias sentido
À morte
E à ressurreição.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Nada

O corpo participa
Rumo à contestação do eu,
Rumo à contratação do outro,
Rumo ao rumo
Do todo.

Do nada o sorriso,
Do som o sentido,
Do sim o perdão,
Do sorrido
Alegria.

A liberdade
Do refrão
Convite,
A certeza
Do mar
Entrega,
As ondas
Em espumas
Na alma.

Não
Há
Nada
Mais,
Não há
Nada.

Rimas

As portas do infinito
Se abrem.
As portas do céu se abrem
Junto das portas
Do inferno.

Diálogos com fantasmas
Do ontem e do amanhã,
Diálogos com a beleza
A convidar à morte.

Deixe-me ir,
Preciso andar.

Rimam os versos,
Rimam as luzes,
Rimam as dúvidas
Em eterno brilho.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Singela

Ah, a meia luz!
Como é bela
A meia luz!
Uma música desconhecida
Ao fundo
Levando o homem
À dissolução,
Algumas conversas,
Dissolução,
Olhares
Disso
Lução.

Na companhia
Da dúvida
Compartilhada,
Na companhia
Dos sorrisos
Em partilha.

Ah, o horizonte existe!
Ah, o amanhã existe!
Ah, a vida
Curvilínea,
Tortuosamente
Bela,
A entrega
Até o ponto
Onde não há
Mais voz.

domingo, 31 de julho de 2016

Sopro

O mundo de cores,
O mundo de sons,
O mundo de gostos,
O mundo de toques,
Mundo de flores.

O beijo do tempo
No corpo-espaço,
Beijo do infinito.

A perda da língua
Na conquista
Sinuosa
Da voz silenciosa
A fluir.

O flutuar
Tão leve,
Tão após
O abismo.

Sopra o vento!
Sopra o vento!
Sopra o vento!

O azul
Verde
Vermelho
Piscina.

sábado, 30 de julho de 2016

Parabéns Alberto

Uma noite amena,
Meia luz,
Uns bons vinis,
Uma praça,
Um aniversário,
O sorriso certo
Do convite.

Alberto,
Estamos aqui,
Alberto,
O nosso braço é o seu abraço,
Alberto,
O seu horizonte é nosso.

Tentaremos consertar o mundo
Amanhã,
Hoje apenas
Uma noite amena,
Meia luz,
Uns bons vinis,
Uma praça.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Capanema

Feche os olhos
E pense no capanema,
Imagine que o mundo faz sentido,
Sonhe com uma sociedade justa
Onde todos tem sua nesga de céu.

Feche os olhos
E pense no capanema,
Imagine um mar de gente unida,
Sonhe com a busca de ideais
Para tornar o mundo mais belo.

Feche os olhos
E pense no capanema,
Imagine que eu e você somos um,
Sonhe com a chegada do amanhã
Brilhante e simples a nos aquecer.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Tamarindo

Subo o obstáculo do primeiro galho
No rancho do amigo do meu pai
Em uma vizinhança próxima
Depois de uma noite a pescar
Quando os cachorros estavam presos
Após buscar uma goiabeira cheia
Encontrei-o escalando a grossa casca
E me deito.

Minhas pernas ao ar
Não me lembro do rio próximo
Não me lembro de ninguém
E encontro o gosto azedo
Do tamarindo.

Naquelas sementes macias
De repente ouvi meu nome
Pedindo aquela fruta
Aquele amargor
Aquela acidez
Entre o acolhimento do galho farto
E o gosto da vagem quebrada
E jogava-o no saco preto
Para depois.

Naquele galho me consumi
Naquele galho enchi o amanhã
Naquele galho me deitei
E fui feliz.

domingo, 24 de julho de 2016

Mas a arte

Morre o homem,
Morrem os amigos,
Morre a família,
Morrem os amores
Mas a arte
Fica.

As flores em esterco,
As árvores no chão,
As andorinhas lembranças,
As folhas ao vento
Mas a arte
Fica.

Os sonhos em ilusões,
Os caminhos em pedras,
Os sorrisos em retratos,
Mas a arte,
A arte
Fica.