terça-feira, 31 de maio de 2016

Sonhos

Sonho que se sonha só
É talvez impossível,
É pergunta sem resposta,
É dia sem noite
Em um círculo perfeito.

Mas sonho que se sonha junto
É horizonte sorriso,
É mar convite,
É céu tão alto
De nuvens pintura,
É criar o amanhã
E fluir no tempo,
É viver a beleza
Do sonho que se sonha junto.

sábado, 28 de maio de 2016

Noite talvez

Deixe
Absorver esse rio
Essas
Cores
Essas vozes
Em eco,
Essa meia luz.

São vidas
Horizontes
Dúvidas
Certezas
(No fundo
Mais dúvidas
Que certezas)
Mas elas
Nesse momento
Estão em suspenso.

O sorriso fácil
Do descanso buscado
Ansiosamente
Aguardado
Que sai
Da espiral.

O não lugar
No não tempo,
O instante
Em trânsito.

A garrafa
Quebrada
Ao seu lado
Mostra como é frágil
Essa suspensão.

Um violão toca ao fundo
Uma melodia
Irreconhecível,
Ainda bem
Não há espelho,
Tampoco reconhecível seria
Aquela imagem
Esfumaçada.

A proteção da noite,
Noite dos descaminhos,
Noite estranha
De toques familiares,
Noite de notívagos perambulantes,
Noite de buscas tão ontem,
Noite de loucos
Tão sãos
Que cantam
Essa noite,
Uma noite talvez.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Rio

Ser sol,
Queimando cores,
Queimando sons,
Queimando toques,
Buscando o horizonte.

O homem busca,
O homem pergunta,
O homem-questão
Entende.

Não há mais nada,
Não há mais movimento,
Não há mais dúvida:
A vida é rio.

E

E o momento diálogo
E o momento presente,
E o momento constante
É eterno.

E o instante de rio
E o sorriso lá fora,
E o contente agora
É redondo.

E o canto lá fora
E o manto de cores,
E o toque agora
Do infinito.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Corpo Mulher

O teu olhar não conspurcará
O meu corpo-templo.
O meu corpo-vivo,
Corpo-curvas,
É corpo-horizonte.

O teu corpo-a-corpo
Em meu corpo-santo,
Em meu corpo-mundo,
Em meu corpo-baixo
É nada.

O teu corpo-bixo
Em meu corpo-inerte,
Em meu corpo-chaga,
Em meu corpo-dor,
Em meu corpo-morte.

O meu corpo-santo,
O meu corpo-glória,
O meu corpo-luz,
O meu corpo-som,
É lindo e belo corpo-corpo.

Há de vencer

Há de vencer
O meu sorriso
O teu desprezo,
O meu canto
A tua tristeza,
A minha voz
A tua dor.

Há de vencer.

Há de vencer
A minha poesia
A tua prosa,
O meu verso
O teu desdizer,
A minha rima
Os teus descaminhos.

Há de vencer!

Há de vencer
A minha dúvida
A tua certeza,
A minha busca
A tua perda,
O meu aplauso
O teu silêncio.

Há de vencer!

Há de vencer
A beleza
O teu monstro,
A dança
A tua imobilidade,
As utopias
O teu fim.

domingo, 22 de maio de 2016

Sendo

Arte sendo arte é pergunta,
Arte sendo arte são cores,
Arte sendo arte é o homem
Sendo deus.

Arte sendo arte é mudança,
Arte sendo arte são lágrimas,
Arte sendo arte é sangue
Sendo quente.

Arte sendo arte é rio sem margem,
Arte sendo arte são impulsos,
Arte sendo arte é parte
De algo maior.

sábado, 21 de maio de 2016

Voz

E eles surdos
Viam a dança
E os achavam loucos
Pois não ouviam a música.

E eles cegos
Ouviam a música
E achavam barulho
Pois não viam o sentido.

E eles mudos
Sabiam da voz
Mas ignoravam
O seu alcance.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Infinito

Ah, o infinito.
Tem cheiro de chuva,
Sabor de mel,
Toque de seda
Olhar de sorriso
E música de silêncios.

Ah, o infinito.
Tão longe,
De repente tão perto,
De repente o incerto
Se descortina.

Ah, o infinito.
Tem corpo de amante,
Luz de mil fogos,
Calor de mil beijos,
E abraço de mãe.

Ah, o infinito.
Em seus braços me embalo,
Docemente,
Sabendo que o tempo é ilusão,
Sabendo que o todo é ilusão,
Sabendo que eu sou ilusão,
E que a única certeza
É a sua presença.

Calma

O eterno presente,
O eterno instante,
O eterno momento
De um simples
Acontecer.

É curva redonda,
É olhar curvo,
É abrir os olhos
E encontrar
O Todo à disposição.

É tanto sentido,
É tanto encontro,
É tanto presente
E tanto sorriso
Que a vida
Acalma.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Possível

São palavras e luzes,
São copos,
Fumaça,
Sons ritmados,
São corpos,
São olhares,
São encontros,
São movimentos
Semiluz,
Consciência
Do efêmero
Fugaz
Buscando
O impossível.

domingo, 15 de maio de 2016

Agora

Além do lugar comum,
Há o espaço sem tempo,
A música de luzes e cores,
O verso de sombras e cheiros,
O gosto do beijo
Do infinito
Tão simples
Singelo
E belo
Em sua presença
Pois a vida segue
E o horizonte existe,
E os caminhos levam,
E as estradas trazem
Notícias
De mundos distantes
Chamando o agora.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Gato

Pensa a mulher no gato
Que pensa a mulher
E espera.

Olha a mulher para o gato
Que olha distante
O horizonte.

Acaricia a mulher o gato
Que acalentado
Se regozija.

Dorme a mulher e o gato
Ao seu lado dormindo
Sorri.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Festa

A experiência de festa,
De corpos,
De luzes,
De sorrisos
E olhares.

O ritmo,
O compasso,
O baixo
No coração.

A possibilidade,
A certeza
Efêmera
E completa
Em si.

Então não há dúvida,
Não há pergunta
Nem tristeza
Só o mar
Impessoal
A cantar.

sábado, 30 de abril de 2016

Cinza

Naqueles dias
De horizonte cinza
E cores azuis,
Você quer sonhar
Mas está cansado,
Você quer viver
Mas está cansado,
Você quer pular
Mas está cansado,
E pergunta a deus,
Já com a alma adormecida,
Por que?
Mas sua ligação
Cai na secretária eletrônica
Pois ele não trabalha
Em dias chuvosos.

A única luz
É a brasa do cigarro
Que te consome
Ao lado do copo
Já vazio,
O vento gelado
Te arrepia,
E você pergunta
E pergunta
Mas não há resposta.

Com os cabelos brancos
Fustigados
Você olha e não vê,
Você pensa e não sente,
Apenas distância
E intempérie.

Mas você procura
No íntimo
E sabe
Que o inverno é estação passageira,
Que a terra só seca é morta,
Que o tempo é círculo
E que o frio é frio pois há o quente,
E então entrega
E dorme
O sono dos justos.

domingo, 24 de abril de 2016

Lua

Lua
Sua linda
Sua clara
Suas manchas
Embelezam
O seu sorriso
O seu brilho
Redondo
Sua presença
Ofusca
Suas estrelas
Dialogam
Seu tempo
Imemorial
Suas marés
E mares
Seus filhos
E mães
Suas cores
Amores
Sua alva
Contente
Tão perto
E distante
Berço
De loucos
Sãos
Ao seu lado
Um torpor
Tranquilo
Perpassa
Minha alma.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A descoberta

Descobrir,
Entender,
Se colocar.

Começar as perguntas
Expressas em um cabelo colorido,
Começar o conhecimento
Do outro, do todo e de si.

Um riso já nem tão inocente
Ainda marcado
Por um quê de pureza
E malícia.

Uma foto,
Uma experiência,
O enfrentar do limite,
O desvelamento do novo.

As roupas rasgadas,
Não mais,
E de novo.

Os amigos para sempre,
Não mais,
E de novo.

Caminhar
Rumo ao desconhecido
Vivendo a aventura
Da vida.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Utopia

Nascida no esterco,
Feita de carbono e sonhos,
Forjada em corações sedentos
De algo mais, de algo melhor,
Ela periga.

Geneticamente modificada
Pela guerra atômica,
Uma flor de dois bulbos,
Ela periga
Pelo jogo de Lear.

Suas pétalas caem
Nesse inverno duradouro,
Inverno sem dia nem sol,
Frio para os ossos e a alma.

Mas ela é maior que nós,
Ela sobrevive à história,
Ela é hidra de infinitas cabeças,
Ela é medusa sem escudo,
Ela é o caminho que virá,
Mais tarde, mas virá.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

São Paulo

O horizonte de retângulos
Branco-cinzas,
Vias, marginais, rodovias,
O condomínio de luxo
E a favela desleixo
Do Estado,
Proposital.

Lá longe algumas árvores,
Lá longe alguns rios,
Lá longe alguma esperança
Misturada a uma fumaça tóxica.

Os relógios indicam a qualidade do ar,
Os relógios indicam o engarrafamento
Que se alimenta guloso
Dos seus dias de vida.

Em uma garrafa um pedido de socorro,
Em um muro uma paisagem urbana,
Em um grafite um profeta,
Em uma sala economia,
Em uma indústria negócio,
Em uma cidade cidadãos,
Uns mais,
Uns menos.

Na Cantareira não há água,
Nos lagos não há água,
Nas nuvens não há água,
Nem o céu triste
Consegue chorar.

Paulicéia possibilidade,
Paulicéia de 22,
Desvairada e louca,
Paulicéia bandeirante,
Paulicéia imigrante,
Paulicéia quebrada e rap,
Paulicéia linda e megalopolítica,
Tão perto e distante.

Me despido, já volto,
Guardo suas contradições,
São as minhas,
Guardo suas questões,
Me as faço,
Guardo rostos distintos
Enquanto a sombra desse avião passeia
Beijando a terra das oportunidades
Desiguais.

domingo, 17 de abril de 2016

E então

E as luzes do horizonte,
E as cores do horizonte,
E os caminhos do horizonte
Chamam.

E você escuta,
E você vive,
E você vive
O infinito do horizonte.

E então tudo é sim,
E então tudo é eco,
E então tudo é simples
O singelo sentir.

E eis o sentido,
E eis o convite,
E eis o perdão,
E eis o todo,
Que se afirma,
Que confirma,
O perfeito
Sentir.