Chama o anjo da morte,
Frio, taciturno,
Chama o fim dos tempos,
Horizontal, sedento,
Mas encontro o seu corpo
E descanso.
A dúvida, o talvez constante,
O desmanche dos sonhos
De uma sociedade
Melhor, mais justa e humana,
Mas deito a cabeça em seu colo,
E tudo vai ficar bem,
Você me diz,
E fecho os olhos pesados
De tantas noites insones.
O mundo cada vez mais
Com menos respostas,
Lá fora a guerra,
Lá fora a democracia
Morreu,
Mas estamos aqui dentro
Nesse quarto,
E tudo vai ficar bem,
Você me diz,
E relaxo os braços pesados
De tanto lutar.
Lá fora não há mais quimera,
Lá fora impera a dor
Desigual, como cada vez mais
Esse mundo, lá fora o nada,
Mas estamos aqui dentro
Nesse quarto,
E tudo vai ficar bem,
Você me diz,
E relaxo os ombros pesados
E durmo.