Navego
Na tormenta
Nas vagas
Enormes
No descompasso
Sem fim.
É preciso
Aprender
A ficar submerso
- li outro
dia -
E então
Submerjo.
Fundo.
O corpo
Jogado
Em meio a esse
Furacão
De casas,
De dores,
De sonhos
E esperanças.
Quando quase
Entregue
Chego
Ao olho
E descubro
Que surpresa!
Quão amenos
São os ventos
No olho
Do furacão.
Olho a minha volta:
Imagens
Lembranças
Memórias
Giram
E eu fico tonto.
Mas surge uma nesga de céu
E inconsequente,
Lacrimejante,
Me ajoelho
E retiro do peito
O coração
Pulsando.
Ofereço ao céu
Ao vento
Ao todo
E mordo-o
Com força.
Seu sangue escorre de minha boca
Banha meu peito
E pinga
Na terra seca.
Pouco a pouco
Nesses pontos rubros
De sangue e lágrimas
Nascem brotos
De girassóis
E nasce firme
Um jequitibá-rosa
Imponente,
Majestoso.
Os girassóis se espalham
Rapidamente,
Novas árvores
Palmeiras, ipês,
Tamarindeiros, mangueiras, cajueiros,
Crescem fantásticos
Em torno a um lago
Que brota
Do centro da terra.
O vento
Calmo
As faz
Balançar.
Pouco a pouco
Esse círculo mudo
Cresce,
Se alarga.
Ainda com o coração
Na mão
Recoloco-o no peito aberto
E o cubro com as folhas
Que o doce vento
Me traz.
Como frutos
Tão sinceros
Que a sua verdade
Me preenche.
Corro em direção à borda dessa pupila cega
E pulo.
Agora sei.
Sempre que
A vertigem
Voltar
Aqui estarei
No âmago,
No centro,
Nesse jardim.