O fluido sentir,
No fluxo, devir,
Sem limites.
O infinito presente
Que na alma se sente
E a você vai
Em infindáveis metáforas
Inconformadas,
Em contínuos contatos
Com o todo,
E em um
Singelo
Olhar.
O fluido sentir,
No fluxo, devir,
Sem limites.
O infinito presente
Que na alma se sente
E a você vai
Em infindáveis metáforas
Inconformadas,
Em contínuos contatos
Com o todo,
E em um
Singelo
Olhar.
O ponto imutável
O autêntico movimento
O sincero momento.
O eterno presente
O fundamental agora
A essência tão rente
E não mais lá fora.
O fluxo refluxo
Influxo do sim
Enfim assim
Tão certo.
Em unidade singelo,
Em sentido sincero,
No caminho
Do belo.
Compassos honestos
De semínimas ternas
Aceleradas.
Criado o rio,
Criada a travessia,
Criada a via
Para o infinito.
O jogo de luzes,
O jogo de sons,
O jogo de tons
Dissonantes.
O fogo reluz,
O fogo conduz,
O fogo induz
Ao desconhecido.
O foco do todo,
O foco do mundo,
O foco do mudo
A falar.
O eco da atenção,
Em profunda tensão,
Pois agora então
Plácido.
O jogo ácido,
O fogo fátuo,
O foco fluido
Do ecoar.
Repetições infinitas,
Indistintas,
Rumo ao sim.
O fluxo do vento,
O intento do tempo,
O momento
Que se desfaz.
A proporção áurea
O retângulo perfeito
Em um ângulo simétrico.
Contentamento
Do viver
In
Tensamente.
(com Pedro Vaz)
Infinite-me.
Infinitésimo.
Infinitamente
Extenso.
O senso
Contínuo.
Prolongamento
Não linear.
Prolegomenos
Definitivos.
O ocaso
Da intuição.
O contínuo
Rio
Sem fronteiras,
Sem barreiras,
Sem senãos.
O rimado eco
Da fímbria
Do âmago
Do ser.
Vibração ação,
Sim não,
Então
São.
Ouvindo,
Sentindo,
Infinitando-me
E sendo.
A noturna hora
Chega agora
E então lá fora
O corvo a cantar.
O soturno véu
E então o céu
Em doce mel
De estrelas.
Os ásperos ventos
Reinventam
O sofrer
E o transformam.
Metamorfose.
É então líquida,
É tão linda
A experiência
De poder
Viver
O eterno
Momento.
Sons em sombra
Sombreando sobre
Nós.
Vozes em luzes
Vociferando
Verdades.
O derradeiro acontecer
Definitivo,
Infinito.
O sopro verdadeiro
Que soluça
Sincero.
Resplandecente.
Ah, o dourado sol que surge,
É chegada a grande manhã.
De beleza a alma urge.
De existir delicado afã,
A alma transborda o ser.
Não há filosofia vã
Que abarque o sincero viver,
Que embarque na aventura
De então em paz conviver
Com o mundo, com as venturas
E tristezas, com os caminhos
E descaminhos. A tessitura
Do todo, o trilhar sozinho
A virgem última trilha
Bebendo bendito vinho.
Das ninfas a filha,
Dos deuses o pai,
Do náufrago a ilha.
Esvairam-se os ventos invernais,
É tempo de calor,
O curso do rio vai,
E eu me vou sem dor.
Entre os dentes
Seguro a primavera
Entre os dentes
Seguro a doce espera.
Entre os dentes.
O infinito,
O céu,
O véu,
O sim.
Assim
Enfim
Tão belo.
O acontecimento do tempo
Em pura existência
Que sempre insiste
Em sempre existir.
Então o tão fluxo,
Então o tão líquido,
Então o são físico,
Então o sentir.
O constante vibrar
Do profundo amar
E então flutuar
Para sempre.
Folhas balançando, vida,
Pessoas passando, alegria.
Os raios de sol aquecem
A saudade fria.
O sorriso convida,
As dores fenecem,
Os movimentos deixam traços,
Os pensamentos escassos
No espaços de um momento.
A palavra falta,
O conceito falta,
Só resta
O olhar.
Você que lasciva me olha,
Não me toca por não teres mãos,
Não sorri por ter muito chorado
O tempo, Em sua imobilidade
Constantemente presente,
És testemunha de gerações,
De amores, guerras e paixões,
De risos que não ecoam mais,
De gestos há tanto esquecidos,
Dê-me um beijo desse rosto sem lábios,
Um abraço desse corpo sem braços,
Seja minha pois eu passarei
E você terá toda a eternidade
Ao seu dispor.
Passam as histórias,
Passam os caminhos,
Os sorrisos e tristezas
Passam,
E eu
Passarinho.
Sua velocidade
Me enebria.
Sua força,
Alegria.
Passam as glórias,
Passam os espinhos,
A vida e a morte
Passam,
E eu
Passarei.
Em ressonância com o todo,
O céu e a terra se tocam
O mar beija as estrelas
E o vento abraça.
Tão singela graça
Exageradamente bela.
Olhando o mar infinito
Vejo o infinito de mim.
Dentro de mim o sentido,
Sentido de ser enfim
Derradeira a entrega.
Um céu feito de passados,
Um sim feito de afagos,
Um sorriso que só nega
O talvez. Ser então
Tão grande. Ser assim
Tão belo o mundo.
Milhões
De grãos
De sal
Em uma toalha negra.
Os reflexos da alma
Que se espelham no mar,
A graça por alcançar
Tão final e cálida calma.
Dúvidas, não mais,
Não há mais talvez.
Apenas estrelas,
Apenas o horizonte
Infinito. Um sorriso
E o grito que ecoa
Trazendo sentido.
A lua branca,
A entrega branca
E o verso final.
Viajando rumo ao desconhecido,
Rumo ao horizonte,
Rumo à insaciável fonte,
O olhar há tanto esquecido
Vê o infinito e sorri,
Vê rostos, destinos,
Foscos desatinos,
E o brilho de si.
Então o belo,
Então o singelo,
Então o sincero
Abraço.
Não há mais:
Só há paz.
Ninguém a ouvir meu canto,
Ninguém a chorar meu pranto,
Ninguém a nadar meu rio,
Ninguém a escutar o frio
Que ecoa em minhas asas.
Apenas o sol a se por,
Apenas o olhar a supor
Quão infinito se é.
Subo com a corrente de vento.
Subo sem qualquer intento
A não ser ver
A beleza a se expandir
E a derradeira certeza
De docemente existir.