um sonho possível em meio ao lodo do dia a dia
um eco de distante de repente próximo
um amanhecer talvez antigo mas sempre novo
acudam!
acudam!
há uma rosa em meio ao asfalto
uma rosa nascida no aterro sanitário
e há uma rosa jovem em cada janela
o horizonte da cidade vermelho
em cada porta uma rosa
vermelha, carnuda
e suculenta
será que o direito ao sonho ainda existe?
é preciso comê-lo
rasga-lo com os dentes
acudam!
acudam!
o ser humano acordou mais justo
um pouco mais compreensivo
com um pouquinho menos de ganância
e não sabe como se comportar
à noite em Santa todos os gatos são artistas,
nem sempre pardos
mas a busca ainda existe
na noite que pediste
e a troca ainda insiste
em continuar
acudam!
acudam!
tantos sonharam o mesmo sonho
tantos ouviram o chamado
ancestral
rizomicamente vegetal
que púrpura nasceu o sol
prenhe de esperança
acudam!
acudam!
tocam as trombetas da mudança
e tremem os pilares
temem os milhares
de sonhos
não quero que repares
nas crestas que surgem inesperadas
o barro devolve ao oleiro as mãos
e o futuro a nós o hoje
e também o nosso amanhã