quinta-feira, 17 de abril de 2014

Círculo

Após um cemitério de mortas folhas,
Um tapete da cor do poente -
Contra Ela não há escolha -
Chega o frio que a alma sente.

Congeladas lágrimas que não caem,
Graves gritos que não saem,
Austral horizonte que só traz
Sussurros e agonias.

Os dias se tornam escuros,
As noites são um longo infinito,
O açoite do vento deixa aflito.
Os frios olhares proximamente distantes,
A saudade de voltar a ser como antes.

Mas as nuas árvores renascem,
As fundas olheiras se esvaecem,
As cruas lembranças fenecem,
Face à profunda comunhão.

Eis que então surge com seu vigor,
Eis que se esvazia o peito da dor,
Eis que o negrume se curva a seu calor,
E vemos no puro riso da criança
A atendida esperança, chegou o verão.