sábado, 31 de dezembro de 2016

Musa

Venha musa,
Venha,
Por ti
Me derreto,
Me desfaço.

Venha,
Me imante,
Me ultrapasse,
Me trespasse,
Me desfaça.

Venha,
Me mate,
Assassine,
Em busca
Da tua palavra

Certa, precisa,
Que transforme
A coisa
Em verso.

Venha,
Sonho por ti,
Vivo por ti,
E quando te encontro
Sou todo.

Leitor

O meu verso
O teu eco,
A minha vida
À tua convida,
Estas palavras
Que brilham
E voltam.

Quero
Que o teu
Sonho
Aqui
Apareça.

Que o teu horizonte
Seja o meu horizonte,
Que nesse barco
Poético
Tu sejas eu
E eu seja nós.

Fogo

Eu olho
O fogo
Ele olha
Para mim.

Sanguíneo

A fímbria da vida,
O convite
De ir
Além do hoje.

A possibilidade
Nova
Que se desdobra
No ar.

Um novo novo
Começa
Quando se abre
O olhar.

O deslizar
Suave
Da pele
Saindo
De si
Rumo
Ao todo
Enfim.

A inteireza
Da vida
Sólida
A brilhar.

O gosto
Espesso
Do sangue
Na boca
A borbulhar.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Mundo

O mundo
Um grande brilho
Um grande encontro
Uma grande música
Silenciosa.

Este mundo
Uma grande possibilidade
Uma grande verdade
Um pequeno vento
Delicioso.

Ah, o mundo
Uma grande contradição
Uma grande conquista
Da grande entrega
Rumo
Ao talvez.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Fracta

Uma parte de mim
Saudades
Uma parte de mim
Futuro,
Uma parte de mim
Duvida
Outra parte
Exclama,
Uma parte de mim
Chora,
Outra parte
Canta.

Uma parte de mim
Dorme
Uma parte de mim
Corre,
Uma parte de mm
Enfim
Outra parte
Ainda,
Uma parte de mim
Belo
Outra parte
Ética.

Uma parte de mim
Brasil
Uma parte de mim
Mundo,
Uma parte de mim
Senil
Outra parte
Escritório,
Uma parte de mim
Febril
Outra parte
Mar.

Uma parte de mim
Baia
Uma parte de mim
Além,
Uma parte de mim
Lesma
Outra parte
Voa,
Uma parte de mim
Suja
Outra parte
Apresentável.

Uma parte de mim
Rima
Uma parte de mim
Prosa,
Uma parte de mim
Verso
Outra parte
Margem,
Uma parte de mim
Escreve
Outra parte
Se perde.

Uma parte de mim
Amor
Uma parte de mim
Dor,
Uma parte de mim
Sonha
Outra parte
Corpo,
Uma parte de mim
Sexo
Outra parte
Horizonte.

Uma parte de mim
Lambe
Uma parte de mim
Sangue,
Uma parte de mim
Range
Outra parte
Liso,
Uma parte de mim
Siso
Outra parte
Livre.

Uma parte de mim
Baixo
Uma parte de mim
Mesa posta,
Uma parte de mim
Gosta
Outra parte
Vômito,
Uma parte de mim
Lodo
Outra parte
Todo.

Uma parte de mim
Grita
Uma parte de mim
Forte,
Uma parte de mim
Arte
Uma parte de mim
Morte,
Uma parte de mim
Fica
Uma parte de mim
Parte.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Volta

Brilham
De volta
As cores
Suaves
Do infinito.

O mundo
A dor
A guerra
Intervalam.

Mas o belo
O sublime
O ritmo
E a rima
Voltam.

A miséria
A injustiça
O poder
Desmesurado
Intervalam.

Mas o infinito
Aguarda.
Não tem pressa :
Estará
Lá
Para sempre.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Eco

Um barco feito de sonhos
Uma nave lua de nuvens
Um convite pedra lisa
Um pedido voz brilhante.

Por que acontece
Por que existe
Por que insiste
Em admirar.

Pois acontece
Pois tão onda
Pois tão areia
Pois tão mar.

São

A poesia homenagem
Ao momento disperso
Ao momento tão certo
Da sincera homenagem.

A possibilidade tão certa,
A pergunta tão perto,
A luz tão sincera
De um retrato tão belo.

A música tão simples
De uma conversa transversa
Em acordes suaves

A rima singela
De uma conversa doce
Da vida contínua.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Que mundo

Que mundo é esse
Em que hoje vivemos?
Que mundo é esse
Em que os senhores da guerra
Novamente
Saem
De suas casernas
Com botas lustrosas,
Sorrisos lustrosos
E ternos engomados?

Que mundo é esse
Em que os senhores do poder
Novamente
Saem
De seus covis
Defendendo
O interesse
Do povo
Quando esse povo
Há muito
Não é ouvido,
Há muito
Pede
E há muito
É silenciado?

Que mundo é esse
Em que lá de Brasília
Surgem novos projetos
Novas emendas
Novas ideias
Requentadas
Adormecidas
Há décadas
Buscando
Um novo amanhã
Que nos levará
Ao ontem?

Que mundo é esse
Em que cada dia
Mais e mais
Somos bombardeados
Com a novidade do dia
O corrupto do dia
O desvio da merenda
O desvio da saúde
O desvio da previdência
O desvio da construtora
O desvio da empreiteira
O desvio do metrô
O desvio das joias
O desvio do Estado
Que se torna
Um governo
Após o outro
Após o outro
Após o outro?

Que mundo é esse
Em que cada governo
Novo
Surge
E mais outro
E mais outro
E nos perguntamos
Como chegamos
Até aqui?

Que mundo é esse
De jantares
Festas
Comemorações
Por um ano
Que
(Glória a deus
Nosso senhor
Há de abençoar
Essa terra
Prometida)
Acabou
Mas temos 
Mais um ano
Pela frente
E mais um ano
E mais um ano?

Que mundo é esse
Cuja única esperança
É podermos retornar
Ao sonho
Do amanhã
Que tínhamos ontem
E não
Trinta anos atrás?

Que mundo é esse?

sábado, 3 de dezembro de 2016

Vozes

Ouço
Vozes.
De um lado
Fico,
De um lado
Parto,
De um lado
Sigo em frente.

Vozes,
Ouço
Vozes.
De um lado
Nado,
De um lado
Voo,
De um lado
Caminho.

Vozes
Vozes
Vozes
Ouço vozes,
De um lado
Pedra,
De um lado
Água,
De um lado
Carbono.

Vozes! Vozes!
De um lado
O nada,
De um lado
O todo,
De um lado
O agora.

Duplo

O gosto
Sincrético
Da vida,
As ondas
De luz,
As ondas
De tons.

O gosto
Agridoce,
Os acordes
Alegres,
Os acordes
Doces
Da vida.

domingo, 27 de novembro de 2016

Pois

A vertigem
Do absoluto,
O vento
Nas asas,
O sol
Na retina,
O eco
Sem fim.

Experiência
Sintética
Sincrética
Sinestésica
E simples.

Pois então
Por que
Não?

Rumo

A extremidade
Do destino,
O horizonte aberto,
O mundo tão certo,
O sentido tão perto
Do olhar.

O corpo
Tão dentro,
Tão simples,
Tão sempre
Parte.

Tanto aguardei,
Para esse momento
Que de repente
Atravessa.

A beleza
Em um fractal de cores,
Em uma multidão de sorrisos,
Em um convite
Rumo
Ao impossível.

Ápice

E neste momento
Singelo
Apenas
O absulto.

Absurdamente
Belo,
Sincero,
Singelo,
Unicamente
Único.

Neste
Ápice
Da possibilidade
Impensável
Da vida.

Acontece
O absoluto.
Ah, a beleza
Entrega,
As cores,
A música.

Nesta extrema
Impossibilidade,
O sentir-se bem,
A certeza
E alma.

Sol

O sol que não brilha,
Mas aquece,
A dança na sombra,
A noite fria
De repente quente,
Os óculos para ver
O mundo,
Os sorrisos para sorrir
A vida,
E o sentido
Beijando
A alma.

Olhos

Quando abrires os olhos
Após tanto tê-los
Fechados,
Estarei aí.

Quando abrires os olhos
Buscando finalmente
Ver,
Estarei aí.

Quando abrires os olhos
De tão abertos
Neles me verei
E estarei aí.

sábado, 26 de novembro de 2016

Neste solo de blues

Neste solo de blues
Encontro o sentido
Há tanto buscado.

Neste solo de blues
Me perco,
Quem sou?

Neste solo de blues
Tantos corpos
De repente um.

Neste solo de blues
Um calor azul
Atravessa.

Neste solo
De blues
Uma luz
Perpassa.

Neste
Solo de blues
À noite
De repente dia.

Neste solo de blues
A paz, o sorriso,
A alma despida
E a eternidade.

Com este Poema

Com este
Poema
Queria
Apenas lhes dizer
O indizível,
Mostrar apenas
O infinito,
Lembrar apenas
Que a vida
Vale a pena.

Com este
Poema
Queria
Apenas lhes dizer
O interdito,
Mostrar apenas
Um grão de beleza,
Lembrar apenas
Que viver
É uma aventura.

Com este
Poema
Queria
Apenas lhes dizer
O não dito,
Mostrar apenas
O horizonte,
Lembrar apenas
Que a vida
É rio
Sem margem.

Com este
Poema
Queria
Apenas lhes dizer
O convite,
Mostrar apenas
Sentido,
Lembrar apenas
Que viver,
Ah, viver,
Viver
É verdadeiramente
Belo.

Flow

A experiência de fluxo,
A experiência de rio,
A experiência
Onde tudo
Faz sentido.

A experiência do todo,
Atravessando,
Trespasse,
Através
De
Si.

A terceira margem,
O não lugar
Entre
Em um intervalo
Do tempo
E do espaço.

O sentido concreto,
Palpável,
Maciço
E ondulado.

Ah, é isso.
Morreria agora,
Morreria certo
De que esse sorriso
É o sentido
Final.