Se tu não fosse minha,
Eu te roubava,
Dizia para a mãe
O pai.
Em um pinheiro
Bem frondoso
Subindo de pés descalços
Cada um tinha
O seu
Próprio
Galho.
O dia começava
Às quatro da manhã
Ainda escuro
Andando a cavalo
Buscando
As vacas
Para o paiol.
Tirando leite,
Buscando ovos
Antes da escola.
De volta
Deitada na grama
Sonhava acima da tampa
Do céu.
Na Páscoa
A correria
Atrás da cesta escondida
De ovos
E chocolates
Para cada um.
Final de ano
Todos reunidos
Dentro de casa
Esperando.
De repente
Chegava o papai noel
Sentado num burrico
E batia à porta
Deixando um saco vermelho
Com presentes
Para cada um.
O burrico ia para o paiol,
O pai entrava sem percebermos
E todos festejavam
A chegada
Do natal.
Tá na mesa! Vem pra casa!
Gritava a mãe,
Crianças correndo
Voltando dos tantos
Mundos e sonhos.
À noite
Em roda
A mãe
A polenta ao leite
À luz de um lampião
Antes de dormir.
Quando chovia
Era uma festa
De crianças pulando
Nas poças.
Chega de se molhar!
Sem sujar muita roupa!
Mas essas crianças não me obedecem!
Voltávamos.
Toda sexta-feira
Limpeza na casa:
Cera, vassoura,
Pano ajoelhado no chão.
No inverno
Banho com água fervida,
Mas no verão
Banho de rio,
Subindo nas pedras,
Pulando na água
Com sabonete
E roupas
Para lavar.
Era chegado o momento
Mais um irmão,
Vinha a parteira,
Todos na casa
Ansiosos
Até em roda
Ver a nova criança.
No frio
Em volta do fogão a lenha
Tomando chimarão
E comendo pinhão.
Amor.